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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Noite adentro



"And everything inside me looks like everything I hate
You are the hope I have for a change
You are the only chance I'll take
And I'm on fire when You're near me
I'm on fire when You speak
I'm on fire burning at these mysteries
Mysteries..."



Pois no silêncio da madrugada
Minha alma aqui jaz ainda acordada
Pensando no que ainda não pôde ter
Pensando naquilo que deveria esquecer
Sentindo dores de uma ferida invisível
Meus pensamentos se tornaram tortura terrível


Desde quando a ausência ganhou poder?
Desde quando a falta é tudo que posso ter?
Pois nas linhas da vida outra história eu posso escrever
História esta que apenas eu poderei compreender


E enquanto a noite se vai
Em novos devaneios a minha mente cai
Um ardor que já não consigo controlar
Uma voz que o que não quero ouvir
Insiste em alto tom me proclamar
Fazendo com que tudo o que escolhi
Eu venha a questionar


Logo logo adormecerei
E por algumas horas vazias
Dessa realidade esquecerei
Acordando para um novo dia
Para continuar vivendo esta utopia
Vendo pedras que voam de todos os lados
Caminhando dentre aqueles que no caminho jazem parados


Até que chegue a noite novamente
E o peso de um mundo se apresente claramente
Levando à certeza da dúvida neste viver
Levando à luta contra tudo o que não quero ser
Até o momento derradeiro em que possa dizer
Que não mais esta guerra de dois vilões
Eu precisarei dia após dia combater

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Infinita Redenção





Ao pés de um monte estou
Um cântico novo neste templo se entoou
Sinfonia de vida nova a renovar
Velhas paredes de pedra que estavam a desmoronar
Cada nota é um sopro de vida
E a cada pausa desta música
Uma velha mágoa é esquecida


Sim, quero nesta obra continuar
Pés neste caminho, onde continuo a caminhar
A luz da Tua voz deixarei me guiar
Sem medo das tempestades que por vezes vêm me assombrar
Pois com a Tua sagrada companhia irei prosseguir
Dia após dia, estarei a me redimir


Que esta voz soe forte como uma trombeta
Anunciando vida nova a todos neste planeta
Sendo espelho a refletir
A luz que ilumina todo o porvir
Sendo uma ovelha mansa a descansar
Nos campos de vida nova onde quiseres me levar


Que todos dias possa renascer
E o que está preparado eu possa escolher
Pois nestes mal-traçados versos estou a ofertar
Toda a gratidão que o meu espírito tem
Por ter Tua presença neste imperfeito altar
A tornar inteiro o que não se deve quebrar
Por me fazer voz e Tua Palavra proclamar

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Revolução





Por breve instante parar
Tudo em redor com cautela avaliar
Por um momento perceber
As pequenas que devo deixar crescer


Letra sobre música
Uma pequena montagem rústica
A estampar a minha identidade
Palavras são a bandeira da minha liberdade
Crendo nas ditas da voz da verdade
Este sempre será meu valioso estandarte


Os traços da vitória
Não devem deixar sangue 
Nas linhas da história
E os planos de toda mente
Não devem ser a derrota 
Para a vida de nossa gente


A razão é dona de muito trabalho
Mas suas obras podem criar um mero espantalho
Marionete das próprias convicções
Sim, assim nasce a maior parte dos vilões


Siga a luz que todos podemos ver
Sem medo daquilo que irá perder
Porque é apenas aquilo que precisamos deixar
Para que de verdade, seja ensinado a amar.  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Súplica



O redor é um completo silêncio
Respiro fundo para completar o meu compêndio
Tentando por breve momento compreender minha natureza
Solução única no horizonte, apenas disto tenho certeza


Olhos nos vales que se estendem
Acho que apenas eles me entendem
Abatidos por ventos uivantes
Trazem a mesma dor dos injustiçados dos levantes


Furacões se abatem sobre a praia
Até que a mais forte estrutura não resista e caia
Vejo minhas paredes tremerem e virem ao chão
Mas não temo que elas caiam
Pois no fulgor de meu trabalho elas se reconstruirão


E na aurora de meu viver
Uma palavra veio a se estabelecer
Da certeza sólida a vivificar
O que a minh'alma insiste quebrantar
Em ondas de choque contra meu ser
Que por vezes pode ser que eu venha a ceder


De todas as coisas venha me privar
Faça pouco a pouco este templo sangrar
Porém não impeça, é o venho implorar
De poder exercer o meu dom de amar


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Peregrino







Porque caminhei
Mais uma vez recomecei
E porque eu parti
Para sempre o passado eu deixei


Ainda ouço um eco a entoar
Os ruídos de um naufrágio em alto-mar
Medo senti de me perder
Nas águas profundas desaparecer
Qual foi minha surpresa ao constatar
Que sobre os escombros estava eu a caminhar


Não vejo terra perto de mim
Vejo águas, apenas águas sem fim
Com a ação do impossível irei peregrinar
Até que terra seca eu possa encontrar
Não entendo como, apenas me deixo levar
Ainda que por vezes, sim eu venha a afundar


Errante peregrino é o que serei
Testemunha do impossível, eu me tornarei
Passo a passo em frente avançar
Não estou sem rumo, você pode acreditar
Pois tenho a suave luz da lua a ser o meu guia
A bela luz da manhã, que me traz um novo dia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Andarilho





Ontem eu acordei
Caminhei, caminhei
Em trilhas novas e desconhecidas
Eu destemido me aventurei


Caiu a noite, vi a lua
Como uma borda de prata
Pode me trazer a luz mais pura?
Cingi-me e fui para a batalha
Meu coração tem velhos papéis que o vento espalha


Feliz por isso que vivi
Porque simplesmente você estava aqui
Doce sabor do resplandecer
De um puro amor que acaba de nascer


Amanheceu, hoje aqui estou
Do que houve, apenas no ontem ficou
Porque me fiz de novo, me reinventei
Todas as sombras dos erros
No passado eu deixei


Um passo de cada vez
Porque uma nova hora agora se fez
Uma esperança no olhar
Um barquinho que se lança ao mar
Porque terras novas, tenho forças para buscar


Claramente a me refazer
Apenas por agora eu irei me esquecer
Porque apenas amanhã irei duvidar
De todas as coisas que eu posso conquistar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Morte e vida

Palavras soltas a correr por aí
Gente que se perde sem ter ideia de onde poderiam ir
Rostos que se escondem na fumaça
E que vejo não serem mais que olhos marejados
Tão logo ela se passa


Há quem precise de um vento
Que sopre para longe
A fumaça que torna seu pulsar lento
Que renove a vida dentro de si
Que a liberte para que possa seguir


Há quem precise de um simples abraço
Todas as palavras do mundo num simples gesto
Sem erros, medos ou o menor embaraço
A ser esse alguém é tudo aquilo
Que com simplicidade no momento me presto


Correr pelo mundo
Ver que os próprios sonhos não são tudo
Crescer em verdade
Deixar ir aquilo que já não tem mais possibilidade
Para sempre deixar morrer a cada dia
Aquilo que nos mata e sem piedade angustia


Fogo na floresta
Queimando árvores velhas
Para que novas nasçam
E não encontrem apenas trevas


Ninguém precisa ser o sol para brilhar
Basta ser apenas uma pequena estrela no céu
Quando a alma de conforto precisar
A mostrar que há algo grandioso a existir
Algo feito por alguém que sempre irá amar
Um caminho a percorrer
E uma nova história por começar



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Nina




Vento que soprou
Levíssimas chamas ele apagou
Qual breve história que se contou
Tudo qual água evaporou


O que sequer começou
Para sempre se acabou
Há tanto tempo se perdeu
Mas de alguma forma
O coração não esqueceu
Ainda hoje às vezes
Me pego a perguntar
O que eu seria hoje se esse breve conto
Fosse história ainda por terminar


Tanta coisa mudou
Meu reflexo no espelho se transformou
O que foi que faltou?
Foi isso que sempre meu eu perguntou
Questionei o que fiz pra deixar falecer
O que hoje vi que sequer chegou a nascer
Será mesmo que é tão simples esquecer?


A vida sempre segue seus próprios planos
E no meio deles vivemos mocinhos e vilões
Acho que por isso nos chamamos humanos
Pois rimos, conversamos e choramos,
Sem perceber os cravos que pregamos


Desse aroma já não há mais fragor
Meu paladar já não percebe mais este sabor
Apenas lembro de que foi o toque de uma rosa
Que por três curtas estações
Fez saltar esta alma em polvorosa


Agora deixo apenas para você
Um adeus e que continue a viver
Sonhos que façam tua alma crescer
Apenas não deixe de novo morrer
O suave perfume que crias sempre sem perceber...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Devaneios



Olhei para os passos que dei
E agora eu posso ver
Coisas que naquele tempo não enxerguei
Penso neste momento
Quantas vezes mais eu errarei?


Vejo uma face querida
Uma face muito mais que amiga
A contrapôr-se ao vento que me cerceia
Me protegendo de tudo que agora me rodeia


Sonhei acordado
Que já não vivia mais desse jeito acanhado
Sonhei enquanto dormia
Que a noite se transformava em dia


Decidir é um degrau que não se vê
Se para cima ou para baixo
Só o depois mostrará a você
Exceto quando inflama no coração
Uma chama amiga, que segura a tua mão


Palavras de eternidade
Que quando seguidas com sinceridade
Te guiam à verdadeira felicidade
Paz de espírito em meio à tempestade
Ventos que vejo obedecer, à uma única vontade
Arrastando para longe tudo que meu coração
Clamava envolto em saudade...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Perturbação




Silêncio, corrompido silêncio
Dentro de mim mora um falecido compêndio
Por ora caminhando entre as pedras
Sinto que dentro de mim, a lutar estão mil feras

Duas vezes ouvi soar
Um cântico que contrariado
Não pude escutar
Soa a marcha
Já vem a alvorada
Vejo surgir do horizonte
Uma nova tropa armada

Uma guerra, que sinto estar perdida
Vejo no espelho, uma dolorida ferida
Cacos que se espalham pelo chão
Agora trago na mão, um ensaguentado coração

Olhando pela janela do futuro
Não vejo nada além
Do que um corredor obscuro
Me perdoe pai
Pois sou mera criança e tenho medo do escuro

Belos traços a escrever
Embora sejam o melhor que eu possa fazer
Jamais serão aquilo que os devaneios de minha mente
Desejam à luz do luar cometer

Por ora finjo um brilho no olhar
Enquanto vejo o relógio sempre adiante caminhar
Ao menos por um caminho optei
Vamos esperar que acabe e eu possa consertar
Tudo aquilo que por meus tolos erros quebrei

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cântico de socorro



Abro a porta de meu coração
Um vento gélido lá de fora
Vem desafiar essa minha nova intenção
E continuo sem poder descrever
Todas as grandes coisas que posso viver


Quando a claridade entra posso contemplar
A grande bagunça que preciso consertar
Porém uma paz imensa invade meu ser
Dando a certeza que é isso que devo fazer


Doloroso é para mim saber
Que apenas meus olhos no espelho
Acompanharão meu viver
Embora lá de cima esteja por mim a velar
No caminho das pedras eu decidi entrar


Um espinho farpado entrou em meu coração
Envenenou-o, e dele preciso abrir mão
Um novo sentir é o que quero viver
Mas apenas sua companhia por ora quero para meu ser
Que estas lágrimas irriguem minha colheita
Pois sei que nenhuma dessas obras será desfeita


Que teu amor ilumine meu ser
E que aquilo que desejas eu possa fazer
Mais que mera poesia, essa é uma oração
Sim Pai, eu deixo minha vida 
Junto ao amor do Teu coração ...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cegueira Voluntária



Todos os dias estou a escrever
Tudo aquilo que eu queria ser
E todos os dias eu estou a ver
Tudo aquilo que posso esquecer


Andando pelas ruas de uma cidade solitária
Felicidades individuais são a causa primária
De uma tristeza que me agonia
De um grito surdo de dor que escuto noite e dia


Faces voltadas para o chão
Mãos estendidas à procura de um irmão
Esperando por alguém 
Que no lado esquerdo ainda tenha um coração


Facilmente me descubro a pensar
Em todas as coisas que capto pelo ar
Feras que debalde se debatem
Os mesmos vilões que falsamente se combatem


A vida é como uma poesia
Cujas rimas se fazem novas a cada dia
Um drama que se disfarça de comédia
Ainda somos os bárbaros da Idade Média
Duelando por um posto de poder
Jogando fora todas as boas coisas que poderíamos fazer


Pisando sobre restos de humanidade
É hipocrisia dizer que seguimos A verdade
Que sejamos perdoados pelo que estamos a fazer
Mas que o sejamos principalmente
Pela orgulhosa teimosia em não querer ver







quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Despedida



É preciso me esconder
Para que eu não venha a me perder
E preciso me apartar
Para que nas pedras eu não venha me assentar


Ao perder o que dizer
É preciso um tempo para responder
Talvez meu silêncio seja a voz de sua ciência
Talvez tuas ditas sejam apenas minha essência
Quando olho não mais vejo
Porque a luz me cega, e eu apenas pestanejo 


Céus que desabam sobre o mar
A luz já não ilumina nenhum lugar
Palavras aleatórias venho dizer
O melhor é o que desejo a você


Vivo e sinto, 
Vejo e escuto
As vozes que vêm de um mundo diminuto
E agora ao entardecer
Eis que posso vir lhe agradecer
Por todas as maravilhas que pude participar
E de todas as vidas que testemunhei mudar
Porque esta é a hora em posso dizer
Adeus, fique bem, não deixe de escrever
Foi sim muito bom conhecer você... 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Plenitude







Formigas, cheiro de mato
Impressões em meu ser, minha alma possui tato
Viajo sem sair do lugar
Ah, não há melhor lugar onde eu poderia estar
Corpo a se encontrar
Minha mente a fervilhar
Simplesmente eu a crescer
Em meus próprios devaneios eu irei me perder
Não foi nada em especial
É apenas o efeito
Daquilo que veria ser normal
Criança a sorrir
De diante do espelho eu não quero mais fugir
Preciso parar para absorver
Todas as simples experiências que pude viver
Toque no coração a me livrar
De todas aquelas sombras que querem me buscar
Bela história consigo ver
Que dos Teus pensamentos
Veio para em minha vida florescer...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Recados



Há uns dias eu te vi
Assim como eu
Estava a andar por aí


Há uns dias eu me perdi
Assim como você
Pude ver o que nunca senti


Estátuas de mármore a ruir
As árvores no campo estão a florir
Tempestades revolvem os oceanos
E o que fizemos não ficará coberto por belos panos


O campo está semeado
De alguma forma, você nunca esteve parado
Ainda que apenas os frutos do ócio
Seja o que você tenha plantado


Corra muito além de tudo aqui
Antes que um raio tua alma venha partir
E em lágrimas de pesar
Seu coração venha a cair


Viva agora
Pois esta é a hora
O passado já acabou
E o futuro ainda não chegou


Viva agora 
E tenha mente
Que aquilo que vem depois
É fruto do presente


Esquecendo as vozes alheias
Sendo sincero, buscando a resposta
Porque além destas pesadas correias
Alguém está a bater na porta

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Par de uma carta só


Ando, percorro um caminho longo
Aqui estou a vagar pelos meus próprios medos
E no primeiro erro, ao chão sou levado pelo tombo
Às vezes me sinto uma sala secreta repleta de alheios segredos


Finjo não ligar
Podes por mim passar
E quando em dor, a minha face ver
Sorriso no rosto, já longe te vejo a correr


Estou aqui
Caso ainda se lembre de mim
Enquanto outro me procura
Sempre verei além, desta realidade obscura


Creio que não seja errado
Mas tudo ficou no passado
Estarei sempre a ouvir
Até o momento que tenhas de partir


Pelo meu caminho eu vou
Não sinto que ninguém a este andarilho deixou
Apenas puderam olhar para cima
Por cima desta grossa neblina
Suas asas abriram
Para o céu elas seguiram


Porto seguro a ver o mar
A ver navios irem e chegar
Receber quem está a vir
Me despedir de quem está a partir
Talvez esse seja o simples sentido
De todas as confusas marés que tenho vivido


Me perco, me descubro, me reinvento. 
A cada momento, sou uma nova obra, uma nova pintura, uma nova poesia, 
Na busca por um apreciador da arte da minha existência
Que veja além da minha moldura, que veja a minha completa essência...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nostalgia





A chuva vem me lembrar
A tempos antigos quer me arrebatar
Mas que tempos são estes?
Que sequer consigo me lembrar?
Embora a memória não esteja aqui
O coração insiste em dizer que algo assim já vivi


Tempos atrás
Uma vida que na névoa se desfaz
Procurar não me leva a nenhum lugar
Embora o aroma antigo aqui esteja a chegar
E eu fico atordoado
Será que estou sonhando acordado?


É estranho parecer 
Que um detalhe fugidio estou a esquecer
Como se algo estivesse prestes a se repetir
Como se algum sonho de outrora estivesse apenas a dormir
Não tenho ideia do que seja
Mas é flor que toda primavera viceja


E me pergunto de onde vem
Essa angústia estranha que o meu espírito detém
Uma colina verde que não vi em nenhum lugar
Um leve aroma do campo que consigo captar
Uma história simples a persistir
Como se de fato ela pudesse existir


Desejoso daquilo que ainda não vi
Ansiando por algo que salta dentro de mim
Ah chuva, lave isso daqui
Embora com o sol essas pedras castelos também venham construir
Às vezes eu me acho a me perder
É, eu sinto saudades de você
Da manhã até o anoitecer
Rosto envolto em sombras de esquecimento
Mas que sinto presente a cada momento


Até que possa entender
Apenas te verei aparecer
Ruidosa como o grito de um trovão
Leve como uma pétala em minha mão
Suave como o perfume de uma rosa
Mas que meu coração deixa em polvorosa...


sábado, 22 de outubro de 2011

Restauração





Água, fogo, furor
Invadem o meu ser, o mundo de novo ganha cor
Pelas pedras eu andei
Em um mar de ilusões naufraguei
Luzes pela manhã a me lembrar
Que jamais deixastes de me amar
E que a qualquer lugar, irias apenas para me buscar


Cicatrizes fechadas
As mãos estão lavadas
Brilho de uma nova vida
Não sou simples árvore ressequida
Com a luz do Teu amor doces frutos produzir
Pela estrada até Ti eu devo agora prosseguir


Passos vacilantes
Porém não mais errantes
Vi meus olhos no espelho
Medo, coração em desespero
Achavas que contra a pedra devia me atirar
Em verdade, era apenas minha missão que estavas a revelar
A parte mais difícil não foi Tua companhia buscar
E sim essa falha imagem de Ti, eu poder aceitar


Diante de Ti porém, isso não importa
Porque ainda assim bateste à minha porta
E só me restou os olhos abrir
E humildemente responder: Senhor, eis-me aqui...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Luzes do passado



Olho à noite para o céu
Vejo infinitas luzes sobre esse véu
Mas sei que seria enganoso eu sorrir
Pois me alegraria por estrelas que já não mais estão a existir


Olho para cima
E só vejo o passado
Ecoa o grito da obra prima
Enquanto que nada mais é hoje criado


Fingindo ser alguém
A trazer coisas novas para cá
Mas esta não é a obra de ninguém
Já nem sequer lembramos o que é amar


A lua é manchada de vermelho
Os homens já não têm coragem de se olhar no espelho
Onde é que estão as almas valentes?
Tudo parece ser um jogo de regras inconsequentes


Continuando firme em pé aqui estou
Sentindo a brisa da madrugada
Pois isso é tudo o que me restou
Pois nunca sentirei o toque de minha amada
Porque o que ainda não surgiu, é exatamente o que a tempestade já levou


Embebido em sonhos antes mesmo de adormecer
Já não são vistos mais os versos que teus corações podem encher
O furor da minha louca razão a tudo destrói
E minha insana teimosia a tudo corrói


Noite de estrelas cadentes
Por poucos segundos, um brilho efervescente
Que logo se esvai, e novamente em sonhos vazios a mente cai
Parábolas não mais ditas, histórias não mais lidas
Enquanto vou seguindo a minha própria luz, 
Mas apenas à chama da vela consumidora, é que por fim ela conduz