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domingo, 1 de abril de 2012

Inocência





Perceber a simplicidade em tudo aquilo que nos rodeia. Crer que as nuvens são feitas de algodão, e não pensar a respeito do amanhã, porque sabemos que o amanhã é por conta de si mesmo, ou melhor ainda, porque o que temos hoje é bom demais para que nos preocupemos com possibilidades do porvir.
Ver cada coisa e pessoa na sua forma mais pura. Entender a grandeza de um sorriso, o calor de um abraço, a entrega de um beijo. Tudo isso faz parte daquilo que não podemos deixar morrer, que devemos manter vivo e intenso dentro de nossos corações, pois é com tudo isso que a vida se torna mais prazerosa,  mais agradável, e permaneceremos sempre prontos para rir dos problemas, porque saberemos que eles não são grandes demais para que não possamos lidar com eles.
Sentir a melodia de uma música, e a paixão com a qual ela foi escrita. Ir além do que vemos, do que tocamos. Transcender a nossa própria existência, e imaginar tudo que está fora do alcance de nossos pequenos olhos. Brincar com o tempo, com as folhas que caem das árvores e, no fim dia, se sentar para ver o céu mudando de cor conforme o sol se põe.
Fazíamos muito disso todos os dias quando mais novos, e não é algo que possamos perder. É algo que devemos cultivar, manter, e jamais esquecer. Porque na alegria dos sorrisos simples é que encontramos um pedacinho do paraíso. Aquele mesmo paraíso que nos faz sentir especiais, por ver o brilho nos olhos de alguém amado, apenas pelo fato de nós mesmos existirmos...

domingo, 18 de março de 2012

Limites



Sempre devemos tentar. Tentar seguir adiante, tentar manter o ritmo, os nossos ideiais, nossas crenças. É preciso manter coerência entre o que se crê e o que se faz. Senão, viramos outdoors ambulantes de pura contradição.

Mas é preciso reconhecer os próprios limites. É preciso ver que nada nas nossas vidas é bom quando tem um preço alto demais. E, mais ainda, quando esse preço começa a se tornar quem nós realmente somos. Quando isso acontece, é hora de parar e refletir sobre aquilo que nós julgamos ser o melhor. E, mais que isso, precisamos entender que ainda que não consigamos fazer o melhor, o que importa é que façamos o nosso melhor.

E ninguém irá entender isso. As pessoas atirarão pedras, cobrarão uma perfeição que elas sequer podem imaginar em si próprias. Por este motivo devemos ter consciência de cada ato que praticamos, porque eles são caminhos sem volta. Cada ação executada é uma estrada de mão-única, pois a vida não possui nenhum modo de rebobinar e desfazer aquilo que desejamos. 

É preciso maturidade para isso. E principalmente para ver os nossos próprios limites. Ver até onde realmente somos nós, ou se são vozes alheias decidindo por aquilo que devemos e queremos fazer. Não se trata de adaptar a vida com Deus para aquilo que nós queremos, e sim para aquilo que nós podemos. Ele nunca cobrou perfeição de nós, então quem somos nós para cobrarmos uns dos outros, ou até de nós mesmos?

O rompimento pode ser doloroso. Mas no final das contas acabamos percebendo que nada nem ninguém vale mais que a nossa própria paz de espírito. Cada um possui um caminho para percorrer e, ainda que não o entendamos, devemos aprender a respeitar que nem tudo aquilo que funciona para nós, funciona para outros. Assim é a vida. Assim somos nós.

Porque de caminhos retos através de espinheiros urticantes, já bastam as palavras ofensivas que lançamos uns aos outros, e não precisamos acrescentar uma só experiência a mais para nossas vidas ou as dos outros. As que temos já são exatamente aquelas que precisamos. E tudo isso respeitando os limites daquilo que somos ou podemos nos tornar, sem forçar a mais nem a menos. Porque não basta querer passar por cima de um precipício em nossos caminhos, é preciso ser capaz disso, senão simplesmente saltamos e nos perdemos nos vazios que existem por aí.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fuga

Existe apenas uma certeza quando estamos totalmente convencidos de que não podemos enfrentar algo: fugimos. O medo move nossas pernas, ou as paralisa onde estamos, e buscamos refúgio daquilo que nos ameaça. Esquecemos de tudo que nos apoiaria naquele momento, vemos apenas que não podemos fazer nada. Falta a solidez de espírito para enfrentar os monstros que aparecem nas nossas vidas.

Mas existem monstros e fantasmas que nós mesmos criamos, e no final acabamos por temê-los devido ao que acreditamos que eles sejam capazes de causar a nós. Não nos lembramos que a origem deles está em nós, até mesmo para evitar a culpa e assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo no presente.

E fugimos.

Fugimos da realidade, de nós mesmos, de tudo. Nos entregamos às mais diversas formas de alienação possíveis, alimentando a força que esses fantasmas têm sobre nós. Mas, como é dito no filme "V de Vingança", um símbolo só tem poder para aquele que dá valor a ele.

Qual valor temos dado aos símbolos de nossas falhas, como se as aceitar fosse a maior das dores? Quanto tempo mais continuaremos dizendo: eu não consigo, eu não posso, fulano me atrapalha, tal coisa me impede, para TUDO que nos desafia em nossas vidas? Esse medo infundado não só de falhar, mas também a incapacidade de assumir nossas falhas, quando criamos máscaras, não só para enganar o mundo a nossa volta, como também a nós mesmos?

Enfrentar todas essas coisas não é fácil. Mas as cicatrizes que ficarão dos espinheiros que arrancaremos nos ensinarão a não cultivá-los mais. Porém, enquanto a coragem para enfrentar estes espinheiros não for maior que eles mesmos, os veremos crescendo. Não porque eles têm vida própria, mas porque nós mesmos os fazemos assim.