terça-feira, 3 de maio de 2011

Respeito

Quando se fala em respeito, logo pensamos naquele monte de palavrinhas mágicas: com licença, obrigada, por favor, desculpe.

É importante, sim, mas será que é só isso mesmo?

A desumanificação do próximo tem sido uma das características mais presentes na história da humanidade. O outro não é um ser. É uma coisa a ser exposta, vendida, alugada, até que não tenha mais valor, e seja finalmente descartada.

Hoje vemos como podemos ser mesquinhos, desumanos, imorais. O próximo é uma fonte de nossos desejos, sejam eles quais forem. Se queremos rir, expomos o outro ao ridículo, diante de câmeras, ou até mesmo de nossos grupos pequenos de convivência.

Se queremos tentar sanar nossa falta de amor, "alugamos" o corpo de outra pessoa, como se fosse uma propriedade a ter um valor fixo. É o mercado dos prazeres, no qual o que vale é quanto se tem para pagar, porque tudo tem um preço.

Toda vez que rimos daqueles vídeos "hilários" que passam no domingo sobre alguém que deu um fora na frente de uma câmera, alimentamos isso. E nos alienamos. Porque não vemos um alguém. Vemoz uma piada, e uma piada de muito mal gosto.

Hoje, tivemos um exemplo clássico do que é ver o outro como alvo. Comemoramos um assassinato. Como somos racionais não é mesmo?

O mais incrível nessa história toda não é que comemoramos apenas o assassinato de outra pessoa. Comemoramos, também, o assassinato daquele pouquinho de humanidade que custamos para criar dentro de nós mesmos.

Se a morte fosse a solução para todas as coisas, com toda certeza eu não estaria escrevendo aqui neste momento, e muito menos o meu leitor estaria lendo este texto. Mas a vida não é feita de decisões e caminhos fáceis.

Os caminhos fáceis são aqueles que levam à morte. E hoje isso foi comprovado.


Literalmente.